Yemara Ateliê


Carta ao meu Ateliê de Joias

Minha expressão é o que você é para mim. Nasceu de mim, de minha necessidade em criar e de dar ao mundo o meu imaginário em forma de joias. Em você, minha identidade se apresenta. E quero muito que juntos possamos encantar a todos. E mais do que simplesmente adorná-los, embriagá-los com nossa essência amazônica que corre em nosso ser. Te convido a contar essas histórias, essas experiências do ser da Amazônia. Tão repletas de saberes, de belezas, de mistérios. Eu sei que somos do mundo, que queremos desvendá-lo. Mas lembre-se, nossas sementes brotaram e desenvolveram-se aqui por estas terras paraenses, e a elas pertenceremos sempre! Então, tu ateliê, que es espelho de mim, com os acertos e erros, vai em frente! Te mostra a quem desejar te ver. Sem medo! Pois eu aceito o desafio de ser tu. Desde que sempre possas ser eu.

No que acreditamos.

No decorrer de meu amadurecimento profissional como designer de joias, já tive a oportunidade de ter experiências pelos vários modelos de produção do setor de joias e acessórios. Como a produção de joias industriais, joias tradicionais, joias autorais e a arte-joia. E acabei por recusar, naturalmente, a atuação em alguns desses modelos, que são norteados por meios, metas e modos de produção cada vez mais esgotados. Não apenas ao me referir ao uso de matérias primas indiscriminado; ao incentivo forçoso do consumo; A  geração de resíduos nocivos ao planeta; A  distribuição desigual dos ganhos. Mas principalmente no esgotamento do processo de concepção de produtos que nós criadores nos submetemos. Dia após dia nos obrigamos a devorar referências para conceber incansavelmente novas e novas coleções, cada vez mais veloz. E por experimentar e refletir esses diversos caminhos, cheguei a conclusão de que o que desejo para este ateliê é diferente de simplesmente estar no mercado de moda, E fazer sucesso, E aumentar a produção, E ter lucro até perder de vista. Desejo que ele faça a parte dele no mundo novo que precisamos construir. Que ele possa ser meu manancial criativo seduzindo-me prazerosamente a criar todos os dias; que ele conquiste seus clientes pelo encontro de almas é a alma de meu produto, que sai da minha alma, que se encontra com a alma do meu cliente. E te digo que com esse pensar vamos, mesmo, de contra a maré do Fast-fashion; das tendências ditadas; da troca de coleções determinadas; da morte do produto estabelecida desde o nascimento. Então acreditamos sim no Slow Fashion, nas redes locais, na moda circular, nos saberes tradicionais, nas habilidades da mão humana, na criatividade, na diversidade cultural.  E queremos ser/ter tudo isso! Se ainda não conseguimos ser, te afirmo que estamos caminhando arduamente para sermos! E que por mais que as pedras no caminho sejam grandes, a gente não vai parar de caminhar!

Como somos.

Nesse Ateliê você encontrará uma pequena produção artesanal, com reprodução em pequena escala em alguns modelos, mas a maioria peças exclusivas. Aqui a concepção das peças é feita baseada em pesquisa e experimentação para as coleções livres. E com muita parceria com outras pessoas. Quando trabalhamos com encomendas personalizadas o foco é o desejo do cliente sempre. Sobre as nossas matérias primas nossa prata é de reciclagem, com procedência de empresa formalizada. Nossos fornecedores de insumos naturais orgânicos compõe uma grande rede local em vários municípios do Pará, e utilizam, em sua maioria, materiais descartados de outras atividades econômicas como matéria prima principal, a exemplo dos insumos de ouriço de Castanha, de chifre de búfalo, de osso de boi, de coco, de madeira, de madrepérola, de escama de peixe. E eles são mais que fornecedores. São mestres artesãos parceiros. Assim como nossos mestres ourives, que possuem suas unidades produtivas próprias, formalizados.

Ela quem cria.

Ela é Lidia Abrahim. Uma moça apaixonada pelo que faz. Já disseram várias vezes para ela ir embora de Belém. Mas ela não vai, ela ama demais essa Terra aqui! Quando era criança, convivia com tantos objetos lindos que seu pai trazia de aldeias indígenas que ele ganhava dos índios de quem cuidava quando viajava pela UFPA em parceria com a Funai. Então ela tinha bonecas de plástico como as Barbies, mas também tinha arco e flecha de verdade, cocar de penas, colares de miçangas, pentes e cestos. Um verdadeiro museu em casa. Tudo isso a fez se apaixonar por tudo que é da Terra – semente, madeira, trançado, fibras, penas. Além de tudo, brincava debaixo da prancheta da mãe, que é arquiteta. E naquele tempo não existia AutoCAD! Era desenho com régua T, esquadros, e pinturas com nanquim e aquarelas. Era tudo muito mágico! Ela roubava as “tintinhas” da mãe e ia pintar e desenhar debaixo da prancheta! E assim foi crescendo e apurando os sentidos para a criatividade. Foi se deixando levar pelo que já a fazia sorrir. Formou-se designer pela Universidade do Estado do Pará. Se entregando de vez a essa brincadeira de imaginar e fazer nascer. E se deixou ser levada pela vida a caminhos diferentes dos demais colegas criativos. Universos de saberes tradicionais, vivências de pessoas das florestas e dos rios, a energia dos materiais natos. Foi seduzida vagarosamente pelo Artesanato, e por mais que seu romance já existisse com o mundo das joias, com quem casou definitivamente mais tarde, ela segue mantendo esse triângulo amoroso.  Quer os dois sempre! Porque os dois se completam e a fazem feliz! Pois desses dois mundos extrai seu repertorio criativo, que é o luxo e o simples, o perfeito e o caos, o agora, o passado e o amanha.

Ateliê de jóias autorais e acessórios assinados por Lidia Abrahim, designer paraense apaixonada pela cultura amazônica.

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